O primeiro álbum de Luthuly, Pele, está sendo lançado em meio à pandemia do COVID-19, e, para o cantor, a experiência é bastante intensa. “É uma loucura, um vaivém para sair de casa com segurança”, conta o artista. No entanto, apesar das circunstâncias, este foi o momento escolhido para fazer a estreia: “É preciso dar o primeiro passo para aquilo que eu quero e acredito”.
O cantor entende que o lançamento de Pele traz uma nova estética, tanto visual quanto sonora, mas principalmente negra. “Quero trazer uma estética preta, uma com que o povo preto se identifique”, explica. “As coisas grandes sempre são feitas para as pessoas brancas se identificarem e se sentirem amadas, desejadas e importantes.” Assim, Luthuly justifica a escolha do nome Pele, mesmo que não seja o título de nenhuma faixa do disco, por remeter aos sentidos. “A pele é onde você sente primeiro, e ela tem camadas, passa por processos e se renova. Então a pele é renovação: está sempre se descascando para vir uma nova, e este álbum é um momento de renovação para mim”, diz o cantor.
Luthuly começou a cantar cedo, com 9 anos de idade. Aos 10, o carioca foi sozinho para Brasília participar de sua primeira gravação, e não parou mais. “Fui me conhecendo e buscando músicas de que eu gostava”, conta o artista, que começou a compor aos 14 anos. Sempre versátil, encontrou facilidade para escrever canções em diversos gêneros, o que o ajudou a colocar “os pensamentos no mundo”, como ele mesmo diz.
Anos depois, Luthuly soma sua versatilidade à maturidade de quem sabe o quer e traz para Pele diferentes influências: MPB, samba e ritmos norte-americanos. “Me inspirei muito em Childish Gambino, Frank Ocean e Jorge Aragão.”
As sete faixas do álbum foram escolhidas entre 60 músicas. “Foi um processo de criar a diversidade dentro de um álbum. Quis colocar em Pele a minha identidade, para que as pessoas escutem e possam dizer: ‘isso é o Luthuly’. Tenho meu lado ativista, que luta pelos seus [ideais], mas tenho o lado de aceitação e também de conturbação. Sou uma pessoa comum.”
Com o lançamento, o artista espera abrir portas, criar lembranças, fazer mais gravações e parcerias. “Quero continuar esse trabalho, trazer uma estética nova para a música brasileira. Quero afrofuturismo, quero deixar as pessoas confusas, intrigadas, mas não só com a música, mas com uma persona que foge dos padrões.”
A seguir, Luthuly dá mais detalhes sobre cada uma das faixas de Pele.
Who’s That Boy?
“É uma faixa de que gosto muito e diz: ‘Quem é você?’. Ela tem uma onda pop, mas não tem um padrão pop. Ela tem mais de um refrão e as pessoas podem identificá-los, e até achar que várias partes são um refrão. Ela tem uma onda de Frank Ocean, de momentos, é uma faixa com sensibilidade, personalidade e momentos sonoros.”
Te Ligo e Você Não Atende
“É uma faixa que vai além do que é feliz e do que é triste. Quando você ouve a parte instrumental e a voz, ela passa uma onda de felicidade. Então é uma música em que eu brinco com a dinâmica da voz e da métrica das palavras e tento colocar a tristeza no lugar da felicidade.”
Cola Comigo
“Eu amo. É a faixa com que mais me identifico, a música em que eu me vejo. De um amor que é uma tentativa, que traz tudo o que você sente, do lado ruim e do lado bom. Ela mostra uma fragilidade, uma vontade de estar com o outro.”
Talvez Seja Melhor Assim
“Esta é uma faixa de aceitação, de aceitar os momentos, de aceitar que nem tudo é do jeito que você quer. Então o título já diz: ‘talvez seja melhor assim’.”
Rua 1, Rua 2
“Essa faixa mostra de onde eu venho, minha criação, a galera com a qual eu cresci. Ela traz o empoderamento e a busca para tirar os meus amigos do tráfico.”
Me Empresta o Seu Sorriso
“É a faixa da fantasia, em que eu brinco com as palavras e com a nostalgia de um dia bêbado! Eu estava muito bêbado e tive vivências muito loucas, de fechar os olhos e ver coisas, de não saber onde eu estava. Foi uma faixa de confusão mental e sentimental. Eu brinco com o som.”
Tudo Outra Vez
“É o momento de tudo de novo: depois da renovação, depois do sofrimento e dos momentos ruins, a gente sempre segue o mesmo ciclo para dar uma nova oportunidade para a mudança.”
Pele
Brasileira • 2020
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